Como saber se esmeralda, rubi e safira são verdadeiros?
O que são esmeralda (berilo), rubi e safira (coríndon), cor, dureza, tratamentos comuns como óleo e aquecimento, e como confirmar a pedra com laudo gemológico.
Resposta rápida
Esmeralda é um berilo verde; rubi e safira são o mesmo mineral, o coríndon, que é vermelho no rubi e de qualquer outra cor na safira. Sinais em casa ajudam (inclusões, cor, dureza), mas só um laudo gemológico confirma se a pedra é natural, sintética ou imitação e se foi tratada. É muito comum a esmeralda receber óleo, e rubi e safira são muitas vezes aquecidos, o que deve ser informado pela loja.
A forma segura de saber se uma esmeralda, um rubi ou uma safira são verdadeiros é o laudo gemológico. Em casa, dá para juntar pistas: inclusões, cor, brilho e resistência a risco. Mas uma pedra sintética tem a mesma composição da natural e engana qualquer teste caseiro.
Antes dos testes, vale entender o que cada pedra é. Isso já desfaz muita confusão.
O que são esmeralda, rubi e safira?
São só dois minerais por trás das três pedras.
| Pedra | Mineral | Cor | Dureza (Mohs) |
|---|---|---|---|
| Esmeralda | Berilo | Verde | 7,5 a 8 |
| Rubi | Coríndon | Vermelho | 9 |
| Safira | Coríndon | Todas as cores, menos vermelho | 9 |
Segundo o GIA, a esmeralda é a variedade verde do berilo, o mesmo mineral da água-marinha. O rubi é o coríndon vermelho, e o crômio é o elemento que dá essa cor.
A safira também é coríndon. O GIA explica que "safira" é qualquer coríndon que não seja vermelho rubi. Ou seja, existe safira azul, amarela, rosa, verde, laranja e até incolor.
Como saber se a esmeralda é verdadeira?
A esmeralda natural quase sempre tem inclusões visíveis. O GIA diz que pedras sem inclusões visíveis a olho nu são muito raras e valem muito. Essas inclusões parecem musgo ou um jardim, e por isso são chamadas de "jardim" (jardin, em francês).
Sinais que ajudam:
- Inclusões com cara de jardim: são normais na natural. Uma "esmeralda" grande, barata e limpa demais merece desconfiança.
- Bolhas redondas: são típicas do vidro. Esmeralda natural não tem bolhas de ar.
- Cor uniforme demais, como garrafa, também pode indicar vidro.
- Brilho em fissuras: se você vê reflexos estranhos dentro das rachaduras, pode ser preenchimento.
E aqui entra um ponto importante: o óleo.
Toda esmeralda tem óleo?
Não toda, mas o tratamento é muito comum. O GIA explica que as fissuras que chegam à superfície da esmeralda são preenchidas com óleos, ceras ou resinas artificiais, para ficarem menos visíveis e a pedra parecer mais limpa.
A quantidade de preenchimento, segundo o GIA, pode ir de insignificante a muita. Um gemólogo com lupa ou microscópio costuma identificar.
Como saber se o rubi e a safira são verdadeiros?
O coríndon tem dureza 9. Só o diamante (10) é mais duro. Isso ajuda a separar rubi e safira de vidro e de pedras mais macias, que riscam com facilidade.
Pistas que valem para os dois:
- Riscos e desgaste: rubi e safira dificilmente ficam com as arestas gastas. Vidro em anel usado há anos costuma ficar arranhado e arredondado nas quinas.
- Bolhas redondas: sinal de vidro.
- Inclusões finas como fios (seda): comuns em coríndon natural.
- Cor perfeita e pedra limpíssima a preço baixo: pode ser sintética.
O problema é que o rubi e a safira sintéticos têm, segundo o GIA, essencialmente as mesmas propriedades químicas, físicas e ópticas da natural. Não adianta teste de dureza: a sintética também tem dureza 9. Só o laboratório separa as duas.
Rubi e safira são aquecidos?
Muitas vezes, sim. O GIA explica que o aquecimento pode tirar o tom arroxeado do rubi e intensificar ou criar o azul na safira. Esse tratamento é considerado permanente no uso normal.
Existe um tratamento bem mais delicado: o preenchimento com vidro de chumbo. O GIA descreve rubis com muitas fraturas preenchidas com vidro, o que faz a pedra parecer mais limpa do que é. Em alguns casos, a quantidade de vidro é grande.
| Tratamento | Pedra | Muda o quê? | É permanente? |
|---|---|---|---|
| Óleo ou resina | Esmeralda | Esconde fissuras | Não totalmente, pode precisar refazer |
| Aquecimento | Rubi e safira | Cor e transparência | Sim, no uso normal |
| Vidro de chumbo | Rubi (e safira) | Esconde muitas fraturas | Sensível a calor e produtos químicos |
O que é um laudo gemológico e quando pedir?
O laudo (ou certificado) gemológico é o documento de um laboratório que identifica a pedra. Ele responde às perguntas que nenhum teste caseiro resolve:
- 1Qual é a pedra: esmeralda, rubi, safira ou outra coisa.
- 2Se é natural ou sintética.
- 3Quais tratamentos foram detectados e, no caso da esmeralda, o grau. O GIA classifica o tratamento de pureza da esmeralda como menor, moderado ou significativo.
Vale pedir laudo para pedras de valor alto, para peças de herança antes de vender e para qualquer compra fora de loja conhecida.
O GIA também lembra que o vendedor deve informar os tratamentos ao comprador. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor exige informação clara sobre as características do produto.
Para a joalheria, essa informação precisa estar à mão no balcão. Na RozarIA, cada peça é cadastrada no estoque com as pedras, o tratamento e o laudo, junto com o peso e o teor do metal. Na hora da venda, o vendedor vê tudo e o cliente recebe a informação certa. Veja também como organizar isso em controle de estoque de joalheria.
O Brasil produz esmeralda?
Sim, e é um dos grandes produtores. Um relatório do Ministério de Minas e Energia (2009) coloca o Brasil como segundo produtor mundial de esmeralda, com jazidas importantes na Bahia e em Goiás.
O mesmo relatório mostra que o país é forte em gemas de cor de modo geral, com destaque para Minas Gerais.
Rubi e safira de qualidade gemológica são bem menos comuns por aqui. Para ver as outras gemas que o país produz, leia pedras preciosas e semipreciosas.
Como cuidar de esmeralda, rubi e safira?
Rubi e safira são resistentes e aguentam bem o uso diário. A esmeralda pede mais cuidado por causa das fissuras e do óleo.
- Esmeralda: evite calor, mudanças bruscas de temperatura e produtos químicos. O GIA alerta que até a água quente de lavar louça pode danificar uma esmeralda preenchida. Nada de ultrassom.
- Rubi preenchido com vidro: mesmo cuidado com calor e produtos químicos.
- Rubi e safira sem preenchimento: água morna, sabão neutro e escova macia resolvem.
Para o passo a passo da limpeza, veja como limpar joias de ouro e prata. E para entender o peso das gemas, leia quilate do diamante e quilate do ouro.
Perguntas frequentes
Como saber se a esmeralda é verdadeira?
Esmeralda natural quase sempre tem inclusões com cara de musgo ou jardim. Bolhas redondas indicam vidro. Mas só um laudo gemológico confirma se é natural, sintética ou imitação e se tem óleo ou resina.
Esmeralda com óleo é falsa?
Não. É muito comum a esmeralda receber óleo ou resina para disfarçar fissuras. É uma esmeralda tratada, e não uma imitação. A loja deve informar o tratamento por escrito.
Rubi e safira são a mesma pedra?
São o mesmo mineral, o coríndon, com dureza 9. O coríndon vermelho é chamado de rubi; o de qualquer outra cor, inclusive azul, rosa e amarelo, é chamado de safira.
Rubi sintético é falso?
O rubi sintético é feito em laboratório e tem essencialmente as mesmas propriedades da natural, mas vale bem menos. Ele não é imitação, porém precisa ser vendido como sintético. Só o laboratório diferencia.
Onde fazer laudo gemológico de uma pedra?
Em laboratórios gemológicos independentes, como o GIA, ou em laboratórios e gemólogos reconhecidos no Brasil. O laudo informa a pedra, se é natural ou sintética e os tratamentos detectados.
