Pedras preciosas e semipreciosas: lista e diferenças

Quais são as pedras preciosas, por que o termo semipreciosa caiu em desuso, a dureza de cada gema na escala de Mohs e as pedras que o Brasil produz.

Equipe RozarIAAtualizado em 7 min de leitura

Resposta rápida

Pela tradição do comércio, as pedras preciosas são quatro: diamante, rubi, safira e esmeralda. Todas as outras gemas naturais eram chamadas de semipreciosas, mas a CIBJO, confederação mundial de joalheria, considera esse termo enganoso e determina que não seja usado, porque várias gemas "semipreciosas" valem mais que as "preciosas". Hoje o mais correto é falar em gemas ou pedras preciosas para todas as pedras naturais, e separar naturais, sintéticas e imitações.

Pela divisão tradicional, as pedras preciosas são quatro: diamante, rubi, safira e esmeralda. Todas as outras gemas naturais, como ametista, turmalina, topázio e água-marinha, ficaram conhecidas como "semipreciosas".

Só que essa divisão não se sustenta mais. As entidades do setor desaconselham a palavra "semipreciosa", e o preço de muitas gemas desmente a ideia de que elas valem menos. Vamos entender o porquê, e o que realmente diferencia uma pedra da outra.

Qual é a diferença entre pedra preciosa e semipreciosa?

Na origem, a diferença era de tradição e raridade. Rubi, safira e esmeralda dominavam o comércio de gemas de cor (com o diamante, formavam o grupo das "preciosas"). Quando outras pedras ganharam espaço, o mercado criou o termo "semipreciosa" para separá-las, segundo a International Colored Gemstone Association (ICA).

Não existe um critério técnico nessa divisão. Ela não mede dureza, beleza, nem valor de forma consistente.

Por que o termo "semipreciosa" caiu em desuso

A CIBJO, confederação internacional de joalheria que publica as normas de nomenclatura do setor (os Blue Books), é direta: o termo "semipreciosa" é enganoso e não deve ser usado. No mesmo documento, "pedras preciosas" e "gemas" são tratadas como a mesma coisa.

A ICA vai na mesma linha e dá um exemplo: uma turmalina Paraíba fina pode valer mais por quilate que rubis, esmeraldas e safiras. Chamar uma pedra dessas de "meio preciosa" não faz sentido.

Nos Estados Unidos, o guia da FTC para joias considera enganoso usar palavras como "precioso" e "semiprecioso" para descrever produtos fabricados artificialmente.

Dica: prefira dizer gema, pedra preciosa ou pedra de cor para qualquer pedra natural. Se o vendedor usa "semipreciosa" para justificar preço baixo, pergunte o nome exato da pedra e se ela é natural.

Lista das principais gemas e a dureza na escala de Mohs

A escala de Mohs, criada em 1812 pelo mineralogista alemão Friedrich Mohs, ordena os minerais pela resistência a risco: um mineral risca os que estão abaixo dele. Ela vai de 1 (talco) a 10 (diamante). É uma escala relativa: o salto do 9 para o 10 é muito maior que os outros.

GemaMineralDureza (Mohs)Na tradição
DiamanteCarbono10Preciosa
RubiCoríndon9Preciosa
SafiraCoríndon9Preciosa
EsmeraldaBerilo7,5 a 8Preciosa
Água-marinhaBerilo7,5 a 8"Semipreciosa"
TopázioTopázio8"Semipreciosa"
TurmalinaTurmalina7 a 7,5"Semipreciosa"
Ametista e citrinoQuartzo7"Semipreciosa"
OpalaOpala5 a 6,5"Semipreciosa"
TurquesaTurquesa5 a 6"Semipreciosa"
PérolaOrgânica2,5 a 3Gema orgânica

Valores de dureza do GIA e da própria escala de Mohs (quartzo 7, topázio 8, coríndon 9, diamante 10).

Para o dia a dia, a regra prática é: quanto menor a dureza, mais cuidado. Uma pérola ou uma opala num anel usado todo dia sofre muito mais que uma safira. Para ter uma referência, o quartzo (7) já é capaz de riscar o vidro comum.

Dica: dureza é resistência a risco, não a pancada. Mesmo uma pedra dura pode lascar se bater de quina. Guarde cada joia separada, para uma pedra não riscar a outra.

Pedras brasileiras: o que o Brasil produz

O Brasil é um dos grandes produtores de gemas de cor do mundo. Um relatório do Ministério de Minas e Energia (2009), com dados do IBGM, aponta que, fora diamante, rubi e safira, o país responde por cerca de um terço da produção mundial de gemas, e que Minas Gerais sozinha chegou a cerca de 25% da produção mundial de gemas coradas.

Algumas pedras que fizeram fama no Brasil:

  • Topázio imperial: o mesmo relatório diz que o Brasil é o único produtor mundial, com as jazidas na região de Ouro Preto (MG). Tem cores do amarelo ao vermelho conhaque.
  • Turmalina Paraíba: descoberta em 1989 em São José da Batalha, no interior da Paraíba, deve o azul neon ao cobre. Depois apareceram ocorrências no Rio Grande do Norte, em Moçambique e na Nigéria.
  • Esmeralda: o relatório coloca o Brasil como segundo produtor mundial. Bahia e Goiás têm jazidas importantes.
  • Água-marinha: descrita no relatório como uma das gemas mais típicas do país.
  • Ametista: o GIA conta que ela era tão cara quanto rubi e esmeralda até o século 19, quando foram descobertos os grandes depósitos do Brasil. Aqui se formam geodos tão grandes que uma pessoa cabe dentro.

Joalherias organizadas, que usam sistemas como a RozarIA, cadastram as pedras de cada peça junto com o peso e o teor do metal. Isso ajuda a informar o cliente com precisão sobre o que está na joia.

Natural, sintética ou imitação?

Na hora de comprar, essa é a pergunta mais importante, mais do que "preciosa ou semipreciosa". A CIBJO define assim:

TipoO que éExemplo
NaturalFormada pela natureza, sem interferência humanaEsmeralda de garimpo
Sintética (de laboratório)Fabricada, com essencialmente a mesma composição, propriedades e estrutura da naturalRubi sintético, diamante cultivado
ImitaçãoProduto artificial que só imita a aparência, sem a mesma composição ou estruturaVidro verde vendido como "esmeralda"

A CIBJO trata "sintética", "criada em laboratório" e "cultivada em laboratório" como sinônimos. A sintética é a mesma substância da natural, mas vale bem menos porque pode ser produzida em escala. A imitação nem sequer é a mesma pedra.

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (art. 31) exige informação correta e clara sobre composição e origem do produto. Peça que a loja escreva na nota se a pedra é natural, sintética ou imitação.

Como escolher uma gema

  1. 1Pense no uso. Anel de uso diário pede pedra mais dura (dureza 7 ou mais). Brinco e pingente aceitam pedras mais delicadas.
  2. 2Pergunte a origem (natural, sintética ou imitação) e se a pedra recebeu algum tratamento.
  3. 3Peça certificado para pedras de valor alto.
  4. 4Olhe cor e brilho ao vivo, em luz natural e artificial.

O peso das gemas é medido em quilates, que não tem nada a ver com o quilate do ouro: veja quilate do diamante x quilate do ouro. Para o diamante, os critérios estão em os 4 Cs do diamante. E para manter as pedras bonitas, leia como limpar joias de ouro e prata em casa.

Perguntas frequentes

Quais são as 4 pedras preciosas?

Pela tradição do comércio, são diamante, rubi, safira e esmeralda. Hoje entidades como a CIBJO tratam todas as gemas naturais como pedras preciosas e desaconselham dividir em preciosas e semipreciosas.

Qual a diferença entre pedra preciosa e semipreciosa?

A divisão é só tradicional, sem critério técnico. As quatro "preciosas" dominavam o comércio, e as demais ganharam o rótulo de semipreciosas. A CIBJO considera o termo semipreciosa enganoso, porque muitas dessas gemas valem mais que as ditas preciosas.

Ametista é pedra preciosa?

Pela classificação antiga, era chamada de semipreciosa. Pela nomenclatura atual, é uma gema natural, uma variedade de quartzo com dureza 7. O GIA conta que ela já foi tão cara quanto rubi e esmeralda até o século 19.

Qual é a pedra mais dura depois do diamante?

O coríndon, mineral do rubi e da safira, com dureza 9 na escala de Mohs. O diamante tem dureza 10. O salto entre 9 e 10 é muito maior do que entre os outros números da escala.

Qual pedra preciosa só existe no Brasil?

O topázio imperial. Segundo relatório do Ministério de Minas e Energia, o Brasil é o único produtor mundial, com jazidas na região de Ouro Preto, em Minas Gerais.

Pedra sintética é falsa?

Não exatamente. A sintética tem essencialmente a mesma composição e estrutura da natural, mas foi fabricada. Falsa é a imitação, que só copia a aparência. Nos dois casos a loja deve informar a origem com clareza.

Fontes e referências

  1. CIBJO: The Gemstone Book (Blue Book), 2022, item 4.1.1.8 e definições
  2. International Colored Gemstone Association: No gem is half precious
  3. FTC Jewelry Guides, 16 CFR 23.27 (Cornell LII)
  4. Wikipédia: Escala de Mohs
  5. GIA: Emerald (Gem Encyclopedia)
  6. GIA: Tourmaline (Gem Encyclopedia)
  7. GIA: Topaz (Gem Encyclopedia)
  8. GIA: Amethyst (Gem Encyclopedia)
  9. GIA: Opal, Turquoise e Pearl (Gem Encyclopedia)
  10. Ministério de Minas e Energia: Perfil de Gemas (Diamante e Gemas de Cor), Relatório Técnico 56, 2009
  11. Planalto: Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990

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